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REVISTA VEJA - EDITORA ABRIL - EDIÇÃO 1899 - ANO 38 - Nº 14

A ANGÚSTIA DE LULA

Como médica Veterinária e especialista em genética de suínos, gostaria de fazer uma pequena correção quanto ao conteúdo da reportagem " O peso do poder " (30 de março). A carne suína não é mais uma " bomba calórica "; ela o foi há umas três décadas, mas, à partir de então, com os ganhos genéticos advinhos de programas de melhoramento, somados a ganhos expressivos na ciência da nutrição dos animais domésticos, os suínos têm hoje uma carne tão magra quanto a de frango, por exemplo, chegando em alguns cortes a ter gordura inferior à carne de bovinos.

Professora Simone E. F. Guimarães
Depertamento de Zootecnia
Universidade Federal de Viçosa (MG)

 
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JORNAL O GLOBO - JUNHO 2005

EMPRESAS CRIAM "PORCOS LIGHT" ALTERANDO GENES

Método elimina 60% da gordura do animal

BRASÍLIA. Na sede da Embrapa, em Brasília, um leitão malhado de outo meses chama a atenção: Francisco, ou Chiquinho, como é chamado pelos funcionários, é um "suíno light", animal modificado geneticamente com redução de até 60% da gordura. Essa cultura é praticada por grandes granjas, cooperativas e produtores independentes em 145 municípios de 12 estados, sobretudo no sul, e a carne é vendida com sucesso em supermercados.
Chiquinho é um exemplo de que criatividade e adaptação às exigências cada vez maiores do consumidor - daqui e de fora - são essenciais para fechar contratos. Contam sabor, suculência, manejo do animal, condições de abate e transporte. E ainda o quão saudável e ecologicamente correto é o produto que vai para as prateleiras dos supermercados.
Difundi-se cada vez mais a idéia do bem-estar do animal - afirma o diretor-executivo da Embrapa, Kepler Euclides Filho.
Outro exemplo de sucesso é o da Granja Querência, do interior de São Paulo. Lá, cerca de 11,5 mil animais recebem tratamento genético para ficarem menos gordos e são tratados com homeopatia e fitoterapia.
Desenvolvemos vários produtos, como um promotor de crescimento à base de ervas como menta, alecrim, boldo, cebolinha verde e cenoura. O uso de antibióticos sacrifica os animais e cria resistência às doenças - diz o gerente da Querência, Paulo Micheloni.
A introdução de métodos naturais - da coleta do sêmen à alimentação - garantiu números 15% maiores ao empreendimento. Hoje, enquanto para cada matriz (a porca dedicada à reprodução) há dez outros animais na média nacional, na Querência a proporção é de uma para 11,5.
Mas Micheloni diz que o maior ganho obtido foi um "carimbo" de produto ecologicamente correto. Gigante do varejo mundial, o Carrefour gostou do método natural da Querência e hoje compra 70% da produção da granja, que comercializa entre 1,5 mil e 1,8 mil suínos por mês e tem faturamento estimado no mercado de R$ 450 mil mensais:
O mercado dos produtos ecologicamente corretos é crescente e fez com que recebêssemos excelente adicional pelos suínos. (Eliane Oliveira e Flávia Barbosa).